quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Reflexões sobre educação infantil

Arthur e Léo estudam numa escola com metódo natural de educação. Em outras palavras, eles respeitam o ritmo de cada um e não forçam a barra. Crianças aprendem brincando (como deveria ser a proposta de cada escola).
Ontem teve a reunião da turma do Arthur, que está no 2º período, ano que vem já estará no ensino fundamental. A coordenadora estava explicando o que acontecerá esse ano, quando uma mãe, preocupadíssima, disse que o filho de uma amiga saiu da Cabo Frio (esse é o nome da escola) e entrou no 1º ano numa escola tradicional e ficou envergonhada e preocupada porque, no primeiro dia dessa escola, a professora passou um ditado (!!!) e o filho dela não soube fazer nada.
Fiquei chocada! Não consegui abafar um comentário “eles antecipam o ensino fundamental para 6 anos e já querem que as crianças saibam fazer ditado no primeiro dia!”.
A coordenadora concordou comigo. Disse que cada um escolhe o que considera melhor para o filho. Mas que aquela escola, ao exigir que crianças no primeiro dia do ensino fundamental já saibam escrever, está atropelando as coisas. Porque o primeiro ano do ensino fundamental é justamente onde elas serão alfabetizadas.
A coordenadora explicou que nesse ano, Arthur e sua turma, em seu segundo período, serão apresentados a algumas palavras de forma lúdica. E terão tarefas de casa duas vezes por semana, para ir se acostumando com o ano que vem. Mas enfatizou muito que a intenção NÃO É ALFABETIZAR. Se isso por acaso acontecer com alguma criança, é porque cada um tem um ritmo e uma forma de aprender.
Eu sou muito tranquila com relação a isso. Espero, realmente, que meu filho continue vendo na escola um momento de prazer, não um lugar onde tudo o que ele faz é repreendido. Ele terá mais uns 15 anos de estudo pela frente, e eu não quero deixá-lo cansado e aborrecido com apenas 5 anos. Quero procurar com muito cuidado uma escola no ensino fundamental que seja coerente com esse meu pensamento. E certamente não será uma escola tradicional.
Um amigo veio me falar que na escola de sua filha as crianças com menos de 3 anos são colocadas em fila (!!!) para escutar o hino nacional todos os dias (!!!). E já têm tarefas de casa!
Outro amigo estava preocupadíssimo porque seu filho de 4 anos teria que “repetir” uma série, por causa da idade, ao mudar de escola. Eu falei “e aí, você está preocupado porque ele vai ter que aprender de novo a cor amarela, o quadrado e a música do sapo?”. Ele não entendeu a ironia. Mas é isso o que eu espero que se faça com 4 anos na escola: esse aprendizado básico vem misturado na brincadeira. Repetir de ano? Bizarro!
A coordenadora da escola do Arthur disse que soube de um caso em que a criança de 6 anos foi morar no exterior e foi repreendida por desenhar um elefante azul. “Essa criança tem algum problema, será que ela não sabe que os elefantes são cinzas?”, disse a mulher. Eu acho que quem tem problema é ela. Sorte de quem tem a capacidade de colocar a cor que quiser nos seus elefantes.

3 comentários:

Dani Gumprich disse...

É bom ouvir que tem gente que pensa como a gente! Estamos morando fora, nos EUA como você sabe, e estou muito feliz em constatar que aqui tem muita escola que segue esse "nosso" modo de pensar. Anderson e eu conversamos muito, consideramos vários pontos e fizemos escolhas para a escola do Gabriel que seguem esse pensamento de permití-lo ser criança, aprender pelo brincar, seguir o ritmo dele, aprender a amar "aprender". Ele está com 6 anos e começou a alfabetização esse ano (setembro/09). Antes não lia nada, e incrivelmente está lendo quase "tudo" em 6 meses, e começando a escrever. O mais importante: está feliz na escola!

J # # # # # A disse...

eu achei que era doida só em pensar como seria a escola que colocaria meu filho,que se chama leonardo(hj com 1 ano).ele ja vai para o maternal e ja tem o ritmo de uma escola,que adora ensinar brincando-coisa que muitas outras apenas brincam de ensinar...

nem bela, nem fera disse...

dri, só no segundo grau que coloquei o lucas numa escola tradicional. o andré estudou sempre em escolas que dão mais importância para o ser. ele está na unb. se vc puder, adie bastante o ingresso dos pequenos nessas máquinas de passar em vestibular..
beijo