quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Refletindo sobre a escola de meus filhos

Tenho refletido muito sobre a escola que eu sonho para meus filhos. Talvez esteja sendo influenciada por Rubem Alves (e que boa influência, hein?) e um livro dele que estou lendo (E ME APAIXONANDO): A escola com que eu sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. O título já é um convite à leitura.

Ele relata de maneira apaixonada a experiência da Escola da Ponte, em Portugal, onde não existem classes, salas e turmas fechadas. Onde crianças criam e cumprem suas próprias regras, onde elas estudam os assuntos de seu interesse, sendo auxiliadas pelas mais velhas. É a escola com que sempre sonhei também. Fico cada vez mais achando que as escolas atuais se parecem com caixas capazes de tirar toda a criatividade e encantamento das crianças...

Bom, seguindo esse trajeto, achei outros textos que também me deixaram a refletir. Receita de alfabetização? Não quero nada disso aqui pro Arthur, que está no 1º ano, em processo de alfabetização:

Receita de Alfabetização
Ingredientes:
1 criança de 6 anos
1 uniforme escolar
1 sala de aula decorada
1 cartilha
Preparo: Pegue 1 criança de 6 anos, limpe bem, lave e enxágüe com cuidado. Enfie a criança dentro do uniforme e coloque-a sentadinha na sala de aula (decorada com motivos infantis). Nas oito primeiras semanas, sirva como alimentação exercícios de prontidão. Na nona semana, ponha a cartilha nas mãos da criança.Atenção:tome cuidado para que ela não se contamine com o contato de livros, jornais, revistas e outros materiais impressos.Abra bem a boca da criança e faça com que ela engula as vogais. Depois de digeridas as vogais, mande-a mastigar uma a uma as palavras da cartilha. Cada palavra deve ser mastigada no mínimo sessenta vezes. Se houver dificuldade para engolir, separe as palavras em pedacinhos.Mantenha a criança em banho-maria durante quatro meses, fazendo exercícios de cópia. Em seguida, faça com que a criança engula algumas frases inteiras. Mexa com cuidado para não embolar.Ao fim do oitavo mês, espete a criança com um palito, ou melhor, aplique uma prova de leitura e verifique se ela devolve pelo menos 70% das palavras e frases engolidas.Se isso acontecer considere a criança alfabetizada. Enrole-a num bonito papel de presente e despache-a para a série seguinte.Se isso não acontecer se a criança não devolver o que lhe foi dado para engolir, recomece a receita desde o início, isto é, volte aos exercícios de prontidão. Repita a receita quantas vezes for necessário. Se não der resultado, ao fim de três anos enrole a criança em um papel pardo e coloque um rótulo: Aluno Renitente.Se não gostar da receita PARABÉNS. Nesse caso use a alfabetização sem receita.


Por outro lado, espero que a alfabetização dele seja como descrito abaixo. E vou trabalhar por isso.
Alfabetização sem Receita
Pegue uma criança de seis anos mais ou menos, no estado em que estiver, suja ou limpa, e coloque-a numa sala de aula onde existam muitas coisas escritas para olhar, manusear e examinar.Sirva jornais velhos, revistas, embalagens, anúncios publicitários, latas de óleo vazias, caixas de sabão, sacolas de supermercado, enfim, tudo o que estiver entulhando os armários de sua casa ou escola e que tenha coisas escritas.Convide a criança para brincar e ler, adivinhando o que está escrito. Você vai descobrir que ela sabe muita coisa!Converse com a criança, troque idéias sobre quem são vocês e as coisas que gostam ou não. Depois escreva no quadro algumas coisas que forem ditas e leia para ela.Peça à criança que olhe as coisas escritas que existem por aí, nas ruas, nas lojas, na televisão. Escreva algumas dessas coisas no quadro.Deixe a criança cortar letras, palavras e frases dos jornais velhos. Não esqueça de pedir para que ela limpe a sala depois, explicando que assim a escola fica limpa.Todos os dias leia em voz alta alguma coisa interessante: historinhas, poesia, notícia de jornal, anedota, letra de música, adivinhação, convite, mostre numa nota fiscal algo que você comprou, procure um nome na lista telefônica. Mostre também algumas coisas escritas que talvez a criança não conheça: dicionário, telegrama, carta, livro de receitas.Desafie a criança a pensar sobre a escrita e pense você também. Quando a criança estiver tentando escrever, deixe-a perguntar ou ajudar o colega. Aceite a escrita da criança. Não se apavore se a criança estiver comendo letras. Até hoje não houve caso de indigestão alfabética?.Invente sua própria cartilha, selecione palavras, frases e textos interessantes e que tenham a ver com a realidade da criança. Use sua capacidade de observação, sua experiência e sua imaginação para ensinar a ler. Leia e estude sempre e muito.

4 comentários:

Ana Flor disse...

Excelente, Dri! Amei o post. Penso tanto nisso também, embora ainda falte algum tempo para a alfabetização da Amanda.
É um tema que me angustia muito.
Beijo!

Bia disse...

Bom pra refletir mesmo, Adriana. Muitas vezes nos perguntamos tb até onde os métodos de educacao tradicional tem de fato o que ver com a realidade e com o que de fato necessário é. No final das contas, é um tal de decoreba, de robozinhos que só fazem o que lhes mandam...
Mas nao acredito na escola perfeita. De qualquer forma, o aprendizado quem faz é o aluno, e nao a escola. Já ouvia isto de minha professora, quando tinha 11 anos, e estou convencida de que tem razao.
Boa sorte para Arthur (ele vai agora para a 1a. série ou segunda?).

Derland disse...

Muito legal seu blog e otimo, e muito criativo, se depois vocês quiser olhar o meu blog e dar a sua opnião eu ficarei muito grato: http://derlandreflexivo.blogspot.com/

Driloren Para Maiores disse...

Oi, Dri...
q legal esse encontro de duas blogueiras xarás, ambas angustiadas com as coisas da vida, cada uma, claro, a seu modo.
Um bjo grande
Driloren