domingo, 9 de novembro de 2008

Apartamento de revista

Isso que vou contar já aconteceu há alguns dias, mas esperei o sangue baixar para contar aqui.
Um dia, o porteiro do prédio veio dizer que uma vizinha tinha reclamado do barulho e da bagunça das babás e das crianças embaixo do prédio. Meu sangue subiu, e olha que eu estava com febre, interfonei na hora para a mulher. Ela não estava. De noite, ela me retornou. Gente, quem me conhece sabe que sou estourada, mas falei duro, mas sem gritar e sem perder a educaçaõ.
A mulher insistia em dizer: "se a senhora ouvisse o que elas falavam, também ficaria horrorizada como eu..." Eu respondia: "minha senhora, eu desço com meus filhos quase todos os dias, converso com as babás e sei muito bem o barulho que babás e crianças fazem. E não fico nem um pouco horrorizada."
Ela disse: "A senhora vai concordar comigo que aquele tanto de babá e criança embaixo do prédio dificulta a passagem dos moradores." Eu fiquei p. mas respondi calmamente: "A senhora passa embaixo do prédio? porque eu nunca vejo ninguém, as pessoas aqui estacionam o carro na garagem e sobem para o apartamento, só quem aproveita o prédio são as crianças (ela mesma, tinha escutado o barulho da garagem e resolveu subir para reclamar). E meus filhos vão continuar brincando e correndo e jogando embaixo do prédio. Não sei se a sra. ouviu falar em Lúcio Costa, o homem que criou Brasília. A intenção das superquadras era incentivar o convívio da comunidade, e os prédios são abertos, sem grades, justamente por causa disso. Meus filhos vão continuar convivendo com os amigos DA QUADRA TODA embaixo do prédio. É isso que Lúcio Costa imaginou para Brasília e é nisso que eu acredito. O prédio não é algo para mostrar numa revista de decoração, é um lugar vivo, feito para as pessoas viverem."
Cara, a mulher ficou transtornada, tanto que me ligou de novo nesse dia. Soube que chorou. As pessoas estão acostumadas a viver no seu mundinho e pensam que tudo é uma revista Cláudia. Eu nunca quis ter casa de revista, prefiro ter a casa bagunçada, indicando que pessoas vivem e aproveitam o ambiente. Tem um pessoal elitista do meu prédio que é um pé no saco, preconceituoso e pensa que é muita coisa porque tem um Audi na garagem. Que perspectiva de vida é essa?

4 comentários:

Dri Viaro disse...

é amiga, morar em predio tem dessas, eu que o diga rssss

bjao

Anônimo disse...

Deve ser o mesmo mundo que vive o meu síndico que ROUBOU o meu jornal, não quis devolver e ainda me disse que eu não podia reclamar pois eu sou inquilina.(moro na cobertura alugada). Pasme!
Ô povinho com uma cabecinha de camarão...
Deixa pra lá, quem não tem paz no coração são eles...
Beijos
Bel (isabel-figueiredo@uol.com.br)

Tatiana disse...

Está muito enganada quando diz ser este o objetivo de Lucio Costa, e sim, facilitar o transito de pessoas. Crianças fazendo arruaça debaixo de blocos é UÓ.
Algumas pessoas deveriam morar em comunidades, pois não são suficientemente civilizadas para conviver com quem tem classe

Tatiana disse...

Comunidades, ou seja, favelas.