domingo, 31 de maio de 2009

Encerrando um ciclo

Essas duas últimas semanas foram difíceis para mim. Eu decidi sair de onde trabalho há 7 anos. Tive alguns - digamos - probleminhas e resolvi buscar novos ares na Câmara, onde, provavelmente, ainda trabalharei por mais de 15 anos. Então, tenho que dar uma arejada, conhecer novos horizontes.
Trabalhei 7 anos na Rádio Câmara, onde aprendi tudo o que sei de rádio, onde fiz amizades fantásticas. Fiquei triste, chorei, algumas amigas também choraram, mas todos sabem que as mudanças são boas também. Vou trabalhar no Plenarinho, o site da Câmara para crianças. Fica a alguns minutos de caminhada e elevador, e sempre podemos nos encontrar para almoçar algum dia.
Na sexta-feira, a Ana, minha grande amiga Ana, fez uma festa de despedida para mim. Fiquei feliz.
E na sexta-feira também, meu último dia de meu trabalho lá, os bombeiros tomaram conta do nosso andar, um vazamento de gás fez todo mundo desocupar o local. Uma saída para lá de bombástica, nem deu para eu me despedir direito de ninguém...

domingo, 24 de maio de 2009

Amiga virtual vira amiga real

Quem é blogueiro sabe que ela é uma celebridade no mundo dos blogs. O blog da Lu Brasil é super acessado e comentado. Também, ela tem um texto delicioso, humor inacreditável e uma vida para lá de recheada de passagens dignas de um blog famoso. Eu conheci a lu virtualmente quando nossos primogênitos (palavra bonita) nasceram no mesmo dia, há quase 5 anos: o meu Arthur e o Lorenzo dela. E desde então passeio pelo blog dela, comentando as impressionantes semelhanças destes nossos gurizinhos.
E não é que a Lu esteve esse fim de semana em Brasília, com seu marido Galeno? E claro, combinamos de nos conhecer pessoalmente. É até engraçado conhecer pessoalmente alguém que já se conhece muito, mas pelo mundo virtual. Parece que a gente já é amiga de longas datas. Nós saímos na quinta, fomos a uma confeitaria, mas o Léo não deixou a gente conversar muito.
Na sexta, fomos ao Pontão com o Bruno, a Simone (outra amiga real e virtual, já que ela também trabalha na Câmara e lê o meu blog), a Lu, o Galeno, e os tios simpaticíssimos dela. Chamei a Lê para sair, ela queria comer sushi, mas quando soube que a Lu Brasil estava aí, também foi ao encontro no Pontão, ela e o Xis. Foi uma noite super gostosa, friiia, em que pude sentir que o mundo virtual dá muitas oportunidades e alegrias reais para todos... Novas amizades reais são a prova disso.
E não foi a primeira vez: ano passado, saímos para jantar com a família da Bia, em Frankfurt, que também conheci pelo mundo dos blogs. Já virou amiga. E em 2007, visitamos a Gra, outra amiga virtual, em Itapema, Santa Catarina.
As fotos estão aí.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Que aula vagabunda é essa em que não se pode conversar?"

Entrevistei semana passada um educador Vítor Paro, autor de dezenas de livros sobre educação. Sou APAIXONADA por tudo o que ele diz. Ele diz coisas que fazem a gente pensar: que tipo de educação eu quero para meus filhos? Ao mesmo tempo que queremos uma educação libertadora, as amarras do mundo moderno puxam a gente de volta à realidade de provas e avaliações estressantes. Será que é possível conciliar isso tudo? Espero que sim. Abaixo, alguns trechos da entrevista, que, infelizmente, não poderei colocar na íntegra na Rádio Câmara, onde eu trabalho. É uma delícia ouvir tudo o que ele tem a ensinar sobre educação. Vou passar para vocês um pouco do que conversamos.

Para Vítor Paro, não existe evasão escolar, mas uma verdadeira expulsão dos alunos das escolas.

"Os alunos são expulsos da escola. Os alunos, os pais, querem estudar. Acontece que a escola é muito ruim, a escola, salvo raras exceções, não atende às necessidades e aos anseios nem da população e muitíssimo menos dos alunos. Então se um lugar que é a escola, que seria um centro de cultura, das coisas mais necessárias e que o homem mais tem interesse, que é apropriar-se de conhecimentos, valores, ciência, filosofia, artes, compor a sua personalidade, transformar-se. Se esse lugar é recusado pelo aluno, é porque esse lugar não está atendendo a esses objetivos."

Vítor Paro destaca que a escola usa métodos de séculos atrás, sem conseguir construir no aluno o desejo de aprender. Levar o aluno a aprender a querer aprender é o primeiro mandamento da didática.

"A própria escola que é organizada em salas de aula já é um modelo antigo. Há mais de 70 anos, foram feitas pesquisas - quem lê Piaget, Vygotsky - esse pessoal todo do século 20, foram feitas pesquisas que a pior forma de ensinar uma criança, até por volta de 11, 12 anos, é alguém que explica e ela que ouve. É a pior forma, mesmo conhecimentos. Suponhamos que a escola devesse passar só conhecimentos, que é o que a nossa escola se propõe, mesmo isso precisaria ser passado de uma forma integral, de uma forma interessante, de uma forma que levasse a criança a querer aprender. E a pior forma de ensinar é botar as crianças sentadas, isso não é forma de ensinar, isso é um sacrifício."

Vítor Paro diz que é um crime de lesa-pedagogia colocar crianças sentadas e confiná-las numa sala de aula durante 4, 5 horas por dia. Para o educador, essa é uma forma de fazer com que a criança odeie o ensino. Ele destaca que a escola não tem sucesso em ser um centro de cultura para os alunos. A escola não é apenas uma comunicadora, destaca Vítor Paro. Mas ele lamenta que a educação no Brasil seja chefiada por pessoas que nunca educaram e não entendem nada de fases de desenvolvimento infantil. A escola é muito mais do que comunicar.

"Comunicar é muito fácil para quem já está educado, para quem já está querendo ser comunicado. Ensinar no ensino superior com pessoas acima de 18, 20, 30 anos, é muito fácil, não precisa saber muito sobre educação, nem entender muito de didática. Você sabendo bem o programa, tendo um ambiente agradável e conseguindo cativar o aluno, você consegue transmitir conhecimento. Mas veja: isso não é educação no sentido que nós temos que ter na educação fundamental."

"Para crianças é muito mais difícil. Inclusive é um absurdo que um professor que ensine no ensino fundamental ganhe menos que quem ensina no ensino superior. Quando o trabalho dele é muito mais difícil, requer muito mais conhecimento, especializado de psicologia, antropologia, aprofundamento no conhecimento de como as pessoas pensam, de como se faz as pessoas pensarem, como se leva as pessoas a se apropriarem de valores propícios à cultura. Precisa conhecer com muito mais profundidade isso, além do conteúdo que ele passa, seja de geografia, de valores, de política, de história. Ele precisa saber como ensinar. Mas como ensinar não é ensinar para qualquer um. Não é como um radialista, como um jornalista, que precisa saber como se comunicar para o mundo. Não! É se comunicar para uma pessoa específica que é a criança, que não pensa igual um adulto."

As pessoas têm um conceito pobre de educação, porque educação é muito mais do que passar conhecimentos, diz Vítor Paro. A escola precisa ser uma coisa deliciosa, e a ciência já provou que isso é possível, ensina.

"A criança só se prepara para viver se ela viver bem. Viver bem para a criança significa brincar. Então a escola, antes de tudo, um lugar onde pudesse brincar. A primeira coisa que as nossas escolas, baseadas em métodos jesuíticos ainda, do século 16, 17, a primeira coisa que faz é proibir a criança de brincar. Não pode conversar com o outro, não pode conversar na aula. Que aula vagabunda é essa em que não se pode conversar? A escola está toda estruturada para um ensino atrasado. A escola devia estar estrutura em turmas pequenas de crianças, que fossem orientadas por adultos, mas que tivessem o adulto no seu próprio nível. ... Porque é diferente? Existem zilhões de métodos novos que ensinam a criança a brincar. Não é difícil, é muito fácil, e dá para ensinar toda a matemática e geografia, muito mais do que se ensina hoje, e dava ao mesmo tempo para desenvolver a personalidade da pessoa."

Há 200 anos atrás, se você desse chá de camomila para curar úlcera de estômago, estava certo, porque não havia o conhecimento que existe hoje. Em educação, é a mesma coisa, enfatiza Vítor Paro. Existe todo um saber acumulado e construído historicamente de como se ensina maravilhosamente, fazendo as pessoas gostarem de aprender. Só que as pessoas que estão ligadas à educação não sabem disso, e elas fazem o que se fazia há séculos atrás. A educação é uma coisa complexa, que precisa ser feita por pessoas técnicas, que tenham conhecimento. Vítor Paro reconhece que os professores são muito mal pagos e por isso os melhores não são atraídos para as salas de aula. Mas os professores, teoricamente, passaram por um curso de pedagogia e leram grandes educadores como Dewey e Paulo Freire. Mesmo tendo conhecimento da didática não baseada em "professor fala - aluno escuta", ele chega para dar aula com a visão de educação que ele aprendeu desde os bancos escolares.

"Tem uma coisa muito mais forte do que isso. É muito mais forte a educação primária dele, o começo da educação, aquilo que ele aprendeu desde que ele nasceu, que ele formou a sua personalidade... Desde o momento em que nasce, as crianças têm várias fases de desenvolvimento biopsiquico e social. Então uma criança de 3 anos pensa age e sente diferente de uma de 6. Você não ensina álgebra para uma criança de 6 anos, porque ela só vai ter essa capacidade de fazer abstração por volta dos 11. É preciso conhecer essa criança. Só que o professor que está lá, passou por uma escola que também não conhecia criança. Ele introjetou um certo modo de vida, certos preconceitos. É como se você aprendesse a ser racista desde criança, você vai precisar de 30 anos para tirar o racismo da sua cabeça, porque ele é muito forte. O modo de tratar o outro que ele aprendeu na infância é o modo autoritário. Ele não aprendeu a reprovar no curso de pedagogia. ele aprendeu a reprovar sendo reprovado."

É exatamente o modelo desse professor antigo que ele usa sendo professor. O professor explicador só funciona no ensino superior, quando a pessoa já tem a personalidade formada, considera Vítor Paro. Para crianças, precisa passar conhecimento em forma de brincadeira.
O homem já foi à lua e fez transplantes de coração. Coisas impossíveis. Mas o fundamental para ele fazer isso tudo é querer ir.

"Eu não acho que fazer uma educação de verdade é mais difícil do que fazer transplante de coração. Só que antes de fazer essa educação de verdade, antes até de pensar em mais recursos para a educação, nós precisamos saber que educação nós queremos. Se não, nós corremos o risco de gastar mais dinheiro para fazer mais da mesma porcaria que fazemos."

Vítor Paro diz que a evasão de uma criança da escola é um atestado de incompetência da escola.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Quando a noite a lua amansa...

E a gente dança venerando a noite...
Todo final de tarde em que eu vou caminhar no Olhos d'Água, o céu de Brasília me dá mostras do seu poder... Eu me emociono.
E minha amada mãe, finalmente, conseguiu tirar uma foto com seus cinco netos: Helena, Clara, Rafa, Léo e Arthur. E falando em mães, feliz dia para todas vocês... Eu recebo o meu presente todos os dias, os meus homens mais do que perfeitos: Bruno, Arthur e Léo. Perguntei para o Arthur no sábado se ele tinha comprado uma surpresa para a mamãe no dia das mães. Ele falou que sim, tinha comprado uma surpresa, um perfume (porque as mães gostam muito de perfume, mamãe) e o Léo tinha comprado um livro... Tudo surpresa. Coisa linda!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Que bagunça boa...


No sábado, Pat, Marcelo e as filhotas Carol e Marina estiveram aqui... Leozinho estava mal, vomitou tudo o que tinha comido no dia, ficou molinho no meu colo (quando o espuleta do Léo fica molinho, o negócio está feio... fico arrasada). Aí chegaram o Maninho e a Lelê. O Léo se animou rapidinho com a correria que se formou aqui, com o Mano carregando menino pra lá e pra cá. "Ó, corre", é o que o Léo fala antes de sair correndo que nem foguete pela casa. E foi isso que ele fez. Que bom que esse bichinho melhorou. Aí eles reviraram a sala de TV e montaram um acampamento. Achamos ótimo...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Todo dia, a terra cora...

E a gente chora porque finda a tarde...
E foi essa beleza indescritível que vi nesta semana, quando estava caminhando no Parque Olhos D'água, bem na hora em que a terra cora e finda a tarde. De um lado, vi isso:
Do outro, essa imagem...
Juro para vocês que não fiz nenhuma correção nas cores no computador. É a exuberância da natureza a responsável por toda essa beleza no céu de Brasília.